GeneSys RPG: Composição de Personagens (1)

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Quem conferiu o Fast Play de GeneSys deve ter percebido como a nossa ficha é diferente dos outros jogos. Apenas quatro descritores já aparecem definidos, que são os Atributos, enquanto o resto contém apenas espaços para serem preenchidos de acordo com o necessário.

Vamos mostrar como seria a construção de uma ficha desde o Contrato Social (CS) até que ela esteja completa e pronta para jogar.

Primeiro, observemos o que o CS define como prioridade no estilo de jogar, ou seja:

Narrativista (jogar explorando o personagem e a história subjetivamente, focando a produção da narrativa);

Jogativista (jogar explorando recursos, combinações e estratégias, focando a otimização dos resultados);

Simulacionista (jogar explorando detalhes que tragam verossimilhança ao jogo, focando em oferecer uma experiência real; sem confundir com realista).

Sugerimos que o personagem parta de um Conceito, mas a forma como este é colocado também depende do estilo. Assim, comecemos com um cenário narrativista de fantasia urbana.

Digamos que, no CS, o grupo tenha decidido que o nosso cenário de fantasia urbana possui magia, mas deve ser mantida em segredo. Existe uma organização que oficializa os usuários de magia e os tipos de feitiços que são permitidos ou proibidos, caçando aqueles que não respeitam as suas regras.

 


Conceito

Adam Hill será o nosso personagem. Precisamos de uma descrição curta sobre quem é ele e o que ele faz.

“Um ex-estudante de jornalismo, iniciado na magia após descobrir o que não devia”

Com isso, sabemos um pouco sobre seus interesses acadêmicos e, talvez, sua profissão. Também sabemos que ele aprendeu magia e que se meteu em confusão investigando algo ilegal ou secreto, o que provavelmente já lhe dá alguma motivação e/ou inimigos.

Tente criar uma ideia que permita tirar conclusões sobre seu personagem, sejam certas ou erradas, completas ou incompletas.

Personalidade

Adam tem 20 anos e pretendia trabalhar com jornalismo investigativo. Vamos ver o que podemos dizer sobre ele:

“Adam é o tipo de pessoa que não consegue ver uma injustiça sem se meter. Ele é do tipo que encontra uma carteira recheada e a leva para a polícia, mesmo sabendo que eles podem embolsar o dinheiro por lá mesmo. Gosta de se reunir com os amigos para papear, beber, jogar alguma coisa… É visto como aquele que está sempre disposto a ajudar os outros, mesmo que isso o faça virar uma noite ou duas.”

Muito mais podia ser dito aqui, mas o foco é oferecer uma ideia de como o personagem se comporta, o que o motiva e o coloca em ação.

Detalhes como o tipo de roupas que ele usa ou como é a relação com sua namorada podem vir a ser relevantes dentro da narrativa mas, se não fizerem parte de suas principais motivações, podem ser deixados de lado aqui.

Cenário

Tente criar uma pequena história, baseada no Conceito e a Personalidade descritas anteriormente. Não precisa ser algo específico, apenas pense em situações comuns pelas quais o personagem passa.

Com o que já foi escrito, é fácil imaginar algumas das atividades em que Adam estaria presente:

“Adam compreende que não se pode ser um justiceiro numa cidade violenta como a sua, então confia na ação das autoridades para resolver os problemas que ele investiga e denuncia. Assim, acredita que está fazendo sua parte para contribuir com a sociedade. Ele procura manter sua namorada fora disso, para protegê-la, então ela não sabe dos lugares estranhos que ele visita, nem das bizarrices que ele descobre, muito menos de que ele se tornou um mago”.

Com isto, já temos algum material sobre o personagem. É claro que ele será melhor desenvolvido quando o jogo começar, então não é preciso definir cada peculiaridade de sua vida.

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Escolha dos Descritores

Podemos começar escolhendo os Qualia, Minúcias, Habilidades ou Predicados do personagem, já que não existe uma relação entre eles que obrigue que uma ordem seja seguida.

No entanto, de acordo com o tipo de jogo, alguns descritores são mais importantes que outros. No CS proposto para o personagem Adam Hill, uma fantasia urbana narrativista, o grupo estaria mais interessado em saber o que acontece na vida dele, com quem ele se relaciona… enfim, em contar a história de Adam Hill, seja ela heroica, trágica ou de horror.

Focando mais na narração, saber qual o nível de sua Força ou quais magias ele pode usar se tornam secundários. Podemos começar por seus Predicados, que falam um pouco mais e oferecem mais material sobre o personagem.

• Predicados de Adam Hill:

Como dito no Fast Play, podemos criar livremente ou seguir um dos modelos oferecidos. Parece natural associar Adam ao modelo Dedicado, então faremos desta forma, ao menos para começar.

Ele terá um Predicado Conceitual de Relevância 3 (o CS definiu que não devem ultrapassar 3 na criação do personagem). Os outros serão um Predicado de Jornada e um Histórico com Relevância 2, e um Relacional para cada outro personagem jogador, com Relevância 1.

“A verdade precisa ser revelada! |3|” (Conceitual)

“Ou aprendo sobre magia, ou serei vítima dela |2|” (de Jornada)

“Não quero mais ver sacrifícios |2|” (Histórico)

“Preciso por juízo na cabeça do Damien |1|”, “Jake me vê como rival |1|” e “Melissa tem um segredo |1|” (Relacionais)

Os tipos de Predicados e suas Relevâncias são explicados na parte de Composição de Personagem do Fast Play (pg.37), assim como o modelo de personagem que define quais usar.

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• Habilidades de Adam Hill:

Com os descritores prosaicos prontos, restam apenas os que são mais objetivos. As Habilidades são importantes, pois mostram o que nosso personagem pode fazer, que tipo de coisas ele sabe, ou pelo quê se interessa.

Se o CS oferecer uma lista, devemos usá-la e preencher os níveis de cada uma livremente ou de acordo com a pontuação dada. Se nenhuma lista foi definida, podemos criar livremente, usando quaisquer níveis que pareçam apropriados, ou usar a pontuação.

Digamos que o nosso CS não tenha uma lista completa, mas defina somente os tipos de magia: Evocar Espíritos, Controlar Forças, Alterar Matéria, Expandir Mente e Manipular Vida.

A escolha do tipo de magia que Adam sabe usar é livre, uma vez que nada em seu Conceito, Personalidade ou Cenário falam sobre isso. Queremos que ele tenha a Habilidade Evocar Espíritos mais desenvolvida, então damos um nível Razoável para ela; mas ele ainda está aprendendo a Manipular Vida, que recebe um nível Ruim.

Outras Habilidades que se relacionam com o que já definimos para ele são: Investigação, Conhecimento de Leis e Redação. Estas terão os níveis Razoável, Medíocre e Decente, respectivamente. Para complementar com algumas Habilidades mais gerais, também daremos a ele Direção Razoável, Corrida Medíocre e Jogos de Estratégia Bons.

Mas, de última hora, todos decidem usar pontos para criar a ficha, então será preciso ajustar os níveis. Os jogadores decidem ter ao menos seis Habilidades, com 10 pontos para cada, para um total de 60 pontos. Precisamos calcular as Habilidades de Adam.

Evocar Espíritos Razoável (8 pts)
Manipular Vida Ruim (3 pts)
Investigação Razoável (8 pts)
Conhecimento de Leis Medíocre (5 pts)
Redação Decente (13 pts)
Direção Razoável (8 pts)
Corrida Medíocre (5 pts)
Jogos de Estratégia Bons (21 pts)

Com 71 pontos, precisamos reduzir algumas coisas. O nível em Jogos de Estratégia cai para Decente (o que reduz 8 pontos) e Direção cai para Medíocre (reduzindo mais 3 pontos). O total agora é de 60 pontos, como definido.

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A pontuação para Habilidades aparece na pg.37 do Fast Play.

• Qualia/Atributos e Minúcias de Adam Hill:

Sendo um jogo mais focado na narrativa, os jogadores decidem não ter Qualia, usando apenas o nível dos Atributos. Neste caso, cada Atributo é calculado como um Quale; com a pontuação de 1 por Quale, temos 4 pontos.

Existir Medíocre (0 pts)
Mover-se Razoável (1 pt)
Interagir Medíocre (0 pts)
Pensar Decente (2 pts)

Nos resta 1 ponto, mas, em vez de usá-lo para aumentar ainda mais os Atributos, podemos usá-lo em Minúcias. Queremos que Adam seja estranhamente resistente a magia, então daremos a Minúcia Resistência a Magia Boa para ele, o que custa 3 pontos (ultrapassando o total em 2).

Para compensar, ele precisa retirar 2 pontos ou usar Minúcias com valores negativos, ou seja, algo que cause problemas para ele, por estar abaixo da média. Que tal ‘Timing’ Pequeno? Isso significaria que Adam tem uma tendência a chegar nos lugares na hora errada, ou de dizer coisas quando elas são menos oportunas. Parece interessante para provocar conflitos na narrativa.

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• Elementos Acessórios de Adam Hill:

Nosso ex-estudante e recém iniciado mago não é o tipo de pessoa que possui armas, então vamos pensar nos outros objetos que ele poderia usar em suas aventuras.

Por ter Direção Medíocre, entendemos que ele sabe dirigir, então podemos escolher um carro para ele; algo popular e barato, como um Fiat Uno, que é barato e econômico (ei, não estamos fazendo propaganda!).

Ele também possui uma câmera fotográfica digital, útil e prática para as denúncias que ele registra em seu dia a dia; um smartphone e sua mochila, onde guarda roupas que usa para passar a noite fora de casa (algo que se tornou muito comum agora) e para carregar os objetos de menor importância.

Para um jogo narrativista, nenhnum destes Elementos Acessórios precisa de descritores nem de uma descrição por extenso, pois todos entendem como eles funcionam.

A Mesa, no entanto, lembra que para fazer magia é preciso de um foco (neste cenário é assim). O CS define que os focos são objetos metálicos de pequeno porte que precisam ter forte relação com o personagem. Digamos que Adam possua um disco de HD aberto, que pertencera a seu primeiro computador, o qual usa como espelho há mais de 10 anos.

O CS define que o foco possua a Minúcia Ressonância Mágica, que pode ser usada para auxiliar em feitiços mais complexos (ou atrapalhá-los, caso seja de baixa qualidade). O nível da Minúcia seria maior quanto melhor for a compatibilidade entre o usuário e o objeto, então a Mesa define que a Ressonância Mágica do foco usado por Adam é Decente.

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Marcando sua Trilha de Vitalidade nos níveis que não estão disponíveis (de acordo com o Existir de Adam), a ficha estará completa. Veja abaixo (clique na imagem para ampliar):

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Na próxima semana, mostraremos a construção de uma ficha para um RPG jogativista, destacando as diferenças na forma de compor o personagem de acordo com o objetivo dos participantes de um jogo que siga esta agenda. Até lá!

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