PDQ Sharp: Avaliação e Informações Adicionais

PDQ-Large

Hoje encerramos a receita do PDQ Sharp com a avaliação, além de informações úteis para os que gostaram do prato e querem repetir. Se você não acompanhou a receita, aproveite para ler a nossas opiniões, os pontos positivos e negativos deste jogo, o que pode te ajudar a decidir se agrada ou não o seu paladar. É claro, se estamos oferecendo o PDQ#, então é por que, para nós, os pontos positivos superam os negativos. Se quiser começar pelos posts anteriores, eles estão aqui: Parte 1, Parte 2, Parte 3.

 


 

AVALIAÇÃO DO JOGO

Pontos Positivos

O produto é conciso. Por se tratar de um resumo das mecânicas do S7S, o PDQ# tem a vantagem de ser bastante direto. Não possuindo muitas páginas, é possível lê-lo inteiro, mesmo em um ritmo mais brando, em apenas um dia. Isso permite que um grupo de jogadores que acabaram de pôr as mãos neste material seja capaz de iniciar um jogo com tudo que é necessário em pouquíssimo tempo.

As regras são muito simples. Não é difícil aprender as regras, e mesmo com uma leitura dinâmica do livro, o leitor é capaz de entrar em um jogo de PDQ# sem maiores surpresas, e consciente das opções que tem a sua disposição. Não há termos em excesso, o que era de se esperar de um sistema tão sucinto, mas os termos são bastantes e bem escolhidos o suficiente para compensar a falta do cenário no arquivo.

As resoluções são velozes e simples. Com poucas rolagens de dados, acerto, esquiva, dano e diversos outros efeitos são definidos. Onde muitos outros sistemas exigiriam a consulta de tabelas, listas de magias, jogadas de resistência, defesa, proteção, etc, PDQ# salta direto para a conclusão, e com alto grau de customização, já que os personagens que falham ou perdem em uma disputa, podem sofrer as consequências de inúmeras formas.

Além de tudo isso, PDQ# foi construído de forma a priorizar a diversão do grupo, mesmo as desvantagens de um personagem são orientadas para construção de momentos memoráveis. Os conflitos, por menores que sejam, tem grande chance de criar os Ganchos de História, que mantém a história amarrada e repleta de motivações e relações entre os personagens.

Pontos Positivos

Algumas regras podem se tornar confusas e, devido à sua simplicidade, podem deixar lacunas na resolução de ações mais complexas. Felizmente, as adaptações necessárias para se contornar estes problemas não são impossíveis.

Além disso, em um jogo onde todos os personagens tendem a realizar feitos impressionantes, chamativos e de grande repercussão na história, é exigido que o Narrador tenha muita criatividade em lidar com os diversos Ganchos de História que podem decorrer. O livro poderia trazer orientações de como lidar com esse excesso; uma sessão baseada em um número considerável de Ganchos pode, facilmente, se tornar uma colcha de retalhos, ou pior, uma pseudo aventura-solo, onde um evento relacionado a um personagem acabe se tornando importante demais comparado às motivações dos outros. Isso certamente estragaria a diversão do grupo.

Avaliação das Regras

O sistema é bem simples, utiliza poucas rolagens de dados e não parece apresentar dificuldade em resolver conflitos e incluir situações aparentemente excepcionais em suas regras.

A grande liberdade que se dá às ações de um personagem de RPG durante a história podem se tornar um fator de complicação, até mesmo prevista pelo livro na sessão final, quando se fala em armas de fogo e venenos. É possível que as sugestões oferecidas resolvam o problema, mas ainda ficam de fora inúmeros fatores, como doenças, caso o grupo queira ser um pouco mais realista. Talvez possam ser tratadas como venenos? A decisão fica para o grupo.

A mecânica não trata de combates a distância, então seria impossível usar a mesma resolução para um personagem portando arco e flechas, bestas, armas de arremesso, entre outras. Nesse caso, o próprio grupo precisa improvisar – e o que parece mais razoável é que um arqueiro use 3d6 para atacar e o alvo use 3d6 para se defender… pelo menos até que o defensor o alcance.

Combates com muitos participantes também são uma preocupação. Cenas de confusão generalizada em tavernas são razoavelmente comuns neste gênero, porém, não foi coberto plenamente. O grupo poderia optar por tratar a cena inteira como um Desafio… ou usar a regra disponível para grupos de Capangas, mas esta também é bastante confusa:

Ao lidar com grupos de Capangas, o sistema sugere que cada um adicione 1d6 à jogada do indivíduo “grupo”, porém isso infringe a regra geral de usar 3d6, e isso não fica claro no texto. Além disso, como tratar um grupo de Capangas onde todos possuem um Forte com Nível Bom? O exemplo oferecido pelo PDQ# mostra que o Modificador do grupo é +2, mas, se são 4 Capangas, por que não +8? E como seria o Modificador do grupo se nem todos tivessem um Forte relevante? E se um deles tiver um Forte com Nível Perito (+4)? Nesse ponto, os jogadores precisariam decidir o que funciona melhor para eles… mas normalmente um sistema deveria ser capaz de lidar com isso e deixar predefinido como proceder.

De qualquer forma, por mais resumido que seja o PDQ#, ele tem méritos por conseguir, através de simples termos, inserir uma dose considerável de sabor ao jogo. A nomenclatura das características não é complexa, não é extensa e, devido ao bom uso do teor do gênero, é bem simples de guardar. Os personagens não precisam de muitas características e as fichas são bem pequenas, sem limitar a capacidade de ação dos jogadores.

Os Dados de Estilo são um dos pontos altos do sistema. Eles possibilitam tanto um estímulo do bom gosto narrativo, sendo utilizados como recompensa pelos jogadores que melhor interpretarem e contribuírem com a história, assim como uma opção tática que aumenta o grau de nível intelectual da mecânica do jogo. Como eles servem como recursos para praticamente tudo, os jogadores podem optar por acumulá-los para momentos difíceis, ou consumi-los pouco a pouco, para uma atuação regularmente acima da média ao longo de toda a sessão. Quaisquer das duas opções são interessantes e, dentro do previsto pelo PDQ#, não geram desequilíbrios. O que poderia causar um desequilíbrio, a acumulação excessiva de Dados de Estilo, foi resolvida com o sistema de remover todos os Dados ao fim de cada sessão. Embora bastante arbitrária e potencialmente prejudicial a jogadores que recebam Dados perto do fim da sessão, a opção de utilizá-los para recuperar danos amarrou perfeitamente esta mecânica e contribuiu para reafirmar a resiliência e “epicidade” dos personagens.

A maneira como o dano é recebido pelos personagens também é uma pérola do PDQ#. Não havendo uma “barra de vida” ou “reserva de vida” única, os personagens podem reagir de maneiras muito mais dramáticas e apropriadas. E isso ainda resolve conflitos de natureza não combativa!

Por outro lado, para quem gosta de coisas mais realistas… bem, aguardem outras resenhas (rs).

DADOS DO PRODUTO: PDQ#

Título: “PDQ Sharp!”.
Autor: Chad Underkoffler.
Dimensões do Livro: 21,6cm x 27,9cm (Arquivo PDF).
Páginas: 28.
Disponibilidade: a Atomic Sock Monkey, que criou, editou e distribui o PDQ#, oferece o arquivo PDF para visualização online e download gratuito, neste link.

Apesar das ilustrações simples, em preto e branco (assim como todo o restante do livro), o sabor da obra é passado com eficiência, mesmo considerando que não há qualquer descrição de cenário ou ambiente específicos em que as histórias devem ser contadas.

Apesar da simplicidade, a organização das informações é bem planejada e indexada, de modo que a leitura transcorre sem desconforto visual. É possível aprender o sistema em um dia e o material necessário consiste de apenas alguns dados de seis faces; os mais fáceis de se conseguir.

O material que complementa o PDQ# é o livro Swashbucklers of the 7 Skies, também da Atomic Sock Monkey, que pode ser encontrado na página da empresa, na sessão “Products”.

 


 

Isso conclui a degustação de mais um prato servido pelo Game Gourmet para o público brasileiro (ou, quem sabe, outros que compartilhem nosso idioma). Reiteramos que nossos objetivos não são comerciais quanto aos jogos apresentados pelo Game Gourmet, nem de competição com os produtores originais, mas sim de divulgá-los e oferecer mais opções de jogos de qualidade, inéditos no Brasil, para expansão do nosso hobby. O Chef continuará trazendo novas receitas, aguardem!

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