Desenvolvendo e Adaptando Cenários para GeneSys RPG

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O GeneSys RPG é um sistema de regras básicas que pode ser moldado por jogadores para desenvolverem suas narrativas, ou seja, GeneSys RPG é uma ferramenta para criar e desenvolver histórias, um instrumento de design, além disso, é um sistema de licença aberta, permitindo que os jogadores criem e publiquem seus cenários, personagens e tudo o mais que quiserem relacionado ao sistema, sem infligir nenhuma lei de direitos autorais.

Essa flexibilidade do sistema de regras em se adaptar ao estilo de jogo desejado permite a exploração dos elementos do jogo em diferentes níveis de profundidade: mais simples ou detalhado, realista ou fantástico, focando a estratégia, imersão ou narrativa em diferentes graus.

Com essas informações em mente, vamos desenvolver um cenário para o GeneSys RPG ao longo de várias publicações. Ele irá evoluir demonstrando os elementos e servindo de exemplo para outros jogadores e narradores que desejem criar ou adaptar um cenário.

No começo desse ano coloquei a disposição no Grupo do GeneSys RPG no Facebook o cenário Guardiões da Humanidade, que tem a premissa de ser um RPG de terror, horror e fantasia urbana, esse será o cenário a ser desenvolvido nesse exercício de designer.

O Contrato Social

O Primeiro passo é estabelecer o Contrato Social do Cenário a ser criado ou adaptado, mas o que é Contrato Social?

Contrato Social – GeneSys Fast Play pág. 07
Antes de começar o jogo, o grupo deve se reunir para fazer decisões sobre o tipo de jogo que desejam ter. Definições como o tema da campanha, os níveis de poder dos personagens, que tipo de Elementos existem no mundo do jogo, quais regras usar, ou mesmo os locais e datas em que o grupo irá jogar, todas fazem parte do que chamamos de Contrato Social. Em resumo, o Contrato Social é um acordo de grupo que deve deixar claro onde, quando e como os jogadores irão jogar, quais as suas limitações e quais os mecanismos disponíveis para eles. O grupo deve decidir o que haverá no jogo, com que todos concordem, e o que ficará de fora, caso não se chegue a um consenso sobre tais elementos.

Contrato Social – F.A.Q pág. 02
Contrato Social é um acordo mútuo entre os jogadores, onde se estabelece as regras, cenário, clima, tema, uso de Pontos de Controle Narrativo e demais detalhes que irão compor a aventura a ser jogada. Até mesmo a existência e a composição a Mesa faz parte desse acordo. O Contrato Social é importante para que não ocorram problemas no decorrer das sessões de jogo, como a abordagem de temas sensíveis, o uso de determinadas mecânicas, informações subentendidas ou inexistentes.

Aplicando o conceito, teremos estabelecido entre Mesa e Jogadores uma proposta de jogo para a narrativa; a seguir o Contrato Social para o Guardiões da Humanidade:

Contrato Social – Guardiões da Humanidade

Os Guardiões da Humanidade é um cenário para GeneSys RPG, na qual, os mortais caçam criaturas sobrenaturais, os métodos e as motivações podem ser distintas entre os caçadores, mas o objetivo é destruir todas as criaturas das trevas que manipulam e degradam a sociedade dos mortais. Existem diversos tipos de caçadores com distintos motivos para a caçada, alguns procuram conhecimento, outros poder absoluto, poucos buscam diversão, mas a maioria busca saciar a sua sede por vingança.
O tema de Os Guardiões da Humanidade é o sacrifício, pois independente do motivo, os caçadores sacrificaram algo importante em suas vidas, pois caçar criaturas sobrenaturais é uma atividade sem reconhecimento. Todos que convivem com os caçadores e não compreendem as suas motivações, os consideram insanos, haja vista, o caçador sacrifica sua posição na sociedade para arriscar a sua vida constantemente por uma sociedade questionável.

O clima de Os Guardiões da Humanidade é de determinação desesperada, pois os caçadores desconhecem a dimensão do alcance da influência das criaturas sobrenaturais, dessa forma, o pouco conhecimento é valorizado, tornando-se o principal gatilho de motivação para exterminar a ameaça e o estimular a manter-se em alertar constante para combater às próximas criaturas sobrenaturais.

Também é possível adicionar ao Contrato Social condutas específicas, que funcionem para o seu grupo:

Nossos jogos serão presenciais a cada quinze dias e para desenvolver uma narrativa mais imersiva solicito que tentem reduzir as conversas paralelas e evitam acessar constantemente as redes sociais.

A Agenda

A Agenda é um dos complementos do Contrato Social, no qual, é estabelecido o estilo narrativo a ser abordado no cenário, dentre as opções temos:

O Imersionismo: é um estilo de narrativa que busca o sentimento provocado por um jogo onde os participantes conseguem deixar de lado a sua realidade e os artifícios usados para o funcionamento do jogo, em troca de sentirem-se dentro do universo fictício (é a Agenda das LARPs – Live Action RPs). – F.A.Q pág. 04

O Joguismo: é um estilo de narrativa que procura afirmar quem seu personagem é, e justificar sua posição na história apoiando-se em suas capacidades, que são possibilitadas por uma exploração eficiente do sistema de regras (é a Agenda de jogos como Dungeons & Dragons). – F.A.Q pág. 04

O Simulacionismo: é um estilo de narrativa que pretende reproduzir uma experiência de jogo, simulando um outro jogo, cenário ou até a realidade, detalhando os personagens e situações para funcionarem como o esperado daquele tipo de universo (existem vários jogos que buscam essa Agenda, mas um dos mais conhecidos é GURPS). – F.A.Q pág. 04

O Narrativismo: é um estilo de narrativa que prioriza o ato de contar histórias, focando na descrição das cenas, com regras modeladas para apoiar o desenvolvimento da trama (é a Agenda de jogos como Vampiro: A Máscara). – F.A.Q pág. 04

Aplicando o conceito, teremos estabelecido que a Agenda do Contrato Social para o cenário Os Guardiões da Humanidade será O Narrativismo, pois durante o desenvolvimento da narrativa todos estarão com suas atenções voltadas para descrições das cenas e desenvolvimento das relações dos personagens, mantendo-se dentro do Tema e Clima propostos.

Os Pontos de Controle Narrativo – PCNs

Os Pontos de Controle Narrativo, ou simplesmente PCNs, são marcadores físicos que representam um recurso narrativo que fornece uma participação mais ativa dos jogadores, pois ao utilizar esses Pontos de Controle os jogadores temporariamente assumem a voz do narrador.

Pontos de Controle Narrativo – GeneSys Fast Play pág. 20 ou F.A.Q pág. 04
Ao consumir 1 PCN (e entregá-lo para a Mesa), o jogador pode criar ou modificar um Evento ou Elemento, favoravelmente a ele no jogo; é possível melhorar as chances do personagem em um teste de Habilidade; é possível variar os níveis de descritores dos Elementos, entre outros usos. Ao contrário, se o jogador aceitar receber 1 PCN, ele assumirá os riscos de um Evento desfavorável para seu personagem, ou pode fazer que seus testes de Habilidade se tornem mais difíceis.
Vejamos as principais formas de uso do Controle Narrativo:

  • Ativação de descritores;
  • Criação de Eventos;
  • Criação de Elementos;
  • Modificação de Elementos.

Mais quantos Pontos de Controle Narrativo – PCN o meu cenário terá?

A quantidade de PCNs deve ser definida durante a criação do Contrato Social, pois quanto maior a quantidade de Pontos de Controle Narrativo que um jogador tiver, maior será a influência na narrativa. Aplicando o conceito, foi decidido que para manter “Tema: Sacrifício” e “Clima: Desespero”, decididos no Contrato Social, os jogadores terão três Pontos de Controle Narrativo.

Definimos o Contrato Social do cenário Os Guardiões da Humanidade, para a próxima publicação serão desenvolvidos os descritores do cenário e a criação de personagem.

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